sábado, 26 de setembro de 2009

Comer um figo, ou será algo mais...

A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-Io em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-Io para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida, desabrochada em quatro espessas pétalas.
Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.
Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só
aspirar toda a carne.
Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é uma fruta feminina.
Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.
O figo, a ferradura, a flor da abóbora.Símbolos.
Era uma flor que brota a para dentro, para a matriz;
Agora é uma fruta, a matriz madura.
Foi sempre um segredo.
E assim deveria ser, a fêmea deveria manter-se para sempre secreta.
Nunca foi evidente, expandida num galho
Como outras flores, numa revelação de pétalas;
Rosa-prateado das flores do pessegueiro,
verde vidraria veneziana das flores da nespereira e da sorveira,
Taças de vinho pouco profundas em curtos caules túmidos,
Clara promessa do paraíso:Ao espinheiro florido!
À Revelação!A corajosa, a aventurosa rosácea.
Dobrado sobre si mesmo, indizível segredo,
A seiva leitosa que coalha o leite quando se faz a ricotta,
Seiva tão estranhamente impregnando os dedos que afugenta as próprias cabras;
Dobrado sobre si mesmo, velado como uma mulher muçulmana,
A nudez oculta, a floração para sempre invisível,
Apenas uma estreita via de acesso, cortinas corridas diante da luz;
Figo, fruta do mistério feminino, escondida e intima,
Fruta do Mediterrâneo com tua nudez coberta,
Onde tudo se passa no invisível, floração e fecundação, e maturação
Na intimidade mais profunda, que nenhuns olhos conseguem devassar
Antes que tudo acabe, e demasiado madura te abras entregando a alma.
Até que a gota da maturidade exsude,
E o ano chegue ao fim.
O figo guardou muito tempo o seu segredo.
Então abre-se e vê-se o escarlate através da fenda.
E o figo está completo, fechou-se o ano.
Assim morre o figo, revelando o carmesim através da fenda púrpura
Como uma ferida, a exposição do segredo à luz do dia.
Como uma prostituta, a fruta aberta mostra o segredo.
Assim também morrem as mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano,
O ano das nossas mulheres.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Foi desvendado o segredo.
E em breve tudo estará podre.
Demasiado maduro, esgotou-se o ano das nossas mulheres.
Quando no seu espírito Eva soube que estava nua
Coseu folhas de figueira para si e para o homem.
Sempre estivera nua,
Mas nunca se importara com isso antes da maçã da ciência.
Soube-o no seu espírito, e coseu folhas de figueira.
E desde então as mulheres não pararam de coser.
Agora bordam, não para esconder, mas para adornar o figo aberto.
Têm agora mais que nunca a sua nudez no espírito,
E não hão-de nunca deixar que o esqueçamos.
Agora, o segredo
Tornou-se uma afirmação através dos lábios húmidos e escarlates
Que riem perante a indignação do Senhor.
Pois quê, bom Deus!
Gritam as mulheres.
Muito tempo guardámos o nosso segredo.
Somos um figo maduro.
Deixa-nos abrir em afirmação.
Elas esquecem que os figos maduros não se ocultam.
Os figos maduros não se ocultam.
Figos branco-mel do Norte, negros figos de entranhas escarlates do Sul.
Os figos maduros não se ocultam, não se ocultam sob nenhum clima.
Que fazer então quando todas as mulheres do mundo se abrirem na sua afirmação?
Quando os figos abertos se não ocultarem?

D. H. Lawrence

A felicidade

- Era melhor teres vindo à mesma hora – disse a raposa. – Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. Às quatro em ponto já hei-de estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-de começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais. in principezinho

Saudade de uma cidade (Luanda)

(...) saudade de uma cidade...saudade de um cheiro...saudade da gente mesmo, que o tempo nao perdoa...doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida e a saudade de quem se ama. saudade da pele, dos beijos...saudade da presenca, e ate da ausencia. (...) quando o amor de um acaba, ou torna-se menor,ao outro sobra uma saudade que ninguem sabe como deter. saudade e basicamente nao saber. nao saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. nao saber se ela ainda usa aquela saia. nao saber se ele foi ao medico como prometeu, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros saudade e nao saber mesmo! nao saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos nao saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento... nao saber como frear as lagrimas diante de uma musica, nao saber como vencer a dor de um silencio que nada preenche... saudade e nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer... (...) Miguel Falabella

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A quarta

A hora não ficou certa na terceira, então a terceira não é de vez, vou tentar mais uma vez, depois penso que terei de ir consultar um técnico em blogues.

A terceira

Eu sabia que isto ia acontecer, títulos, tipo de letra, isto, aquilo, o que faltou, acertar o relógio, e isso não fica nada bem, afinal, temos de ser rigorosos, e pontuais, e se eu precisar de saber as horas em que estive aqui, e quanto tempo gastei, pois, preciso de ter o relógio certo e quem melhor para dar conta disso, senão for na etiqueta do canto inferior esquerdo com a designação -opções de mensagens - pois é, estava a esconder-se, a malandra, mas eu via, e penso que já acertei a hora, assim, consigo ir mais descansadinha, procurar ali umas coisinhas.

A segunda

Depois de ver postada a minha primeira mensagem, ali, toda bem posta, quase que com uma perfeição milimétrica de corte e costura, com os arranjos, ornamentos e todos os acessórios necessários, para ser deslumbrante, fiquei com formigueiro nos dedos para postar uma nova mensagem, e voilá, aqui esta ela (pensando, isto não é nada motivante, - engano, meu caro, isto é precisamente o mote necessário para que se inicie um encadeamento de ideias), mas terei de fazer um interregno até amanhã, ou daqui algumas horas, pois tenho uma luz laranja no canto inferior direito do pc que pisca intermitentemente, tal qual o pisca dos carros. E eu vou-me para lá por um pouco, mas regresso.... claro que regresso.

A primeira

Isto da primeira, tem muito que se lhe diga, ou pelo menos, tem que se lhe diga o suficiente, visto que nunca há muito, pois tudo é relativo. Mas na verdade, referia-me a primeira mensagem que posto no meu blog, que euforia, dizer o meu blog, quase que ,me sinto como uma mãe pela primeira vez, o seu filhote acabou de nascer e diz ela embevecida, é o meu filhote, (sorrindo para mim e de mim), mas é isto mesmo, é a primeira mensagem que coloco aqui e não sei bem o que dizer, nem sei se vai ficar como deve ficar.
Primeiro, tentei alterar a letra, há um icon no canto superior esquerdo que diz - Tipo de letra - eu lá fui mas não me mudou o tipo de letra, logo não sei o que faz aquele icon, tenho de ir experimentando, um dia acerto.
Segundo, tenho de pensar num título, bem, eu tinha colocado o título no quadro destinado a mensagem, sou genial, não sou.
Agora previsualizo, e estará a minha primeira mensagem no meu blogue, iupiii.